Existem finais felizes e os fins necessários

Existem finais felizes e os fins necessários

O término de uma relacionamento é tarefa pra gente grande. Adultos. A saudade aperta, os dias ficam maiores e acreditamos que a solidão será nossa companheira ao longo da caminhada.

No entanto, com me ensinou minha sábia avó materna “tudo passa”, e quando conseguimos diferenciar um final feliz de um final necessário, melhoramos nossa percepção do mundo e conseguimos enfim resignificar o fim.

E isso deveria ser tão óbvio! Precisamos urgentemente parar de romantizar o amor sofrido. Ah sim, a possibilidade de ter sido bom até aqui. Feliz, mas agora não mais.

Mas, humanos que somos, demoramos para entender que relacionamentos também tem direito de acabar naturalmente, sem motivos ou justificativas. Acabou e acabou. Sim, aqui jaz um amor e ponto final.

Mas insistimos, lutamos, sofremos apenas para adiar, em vias de fato, o que já acabou dentro de nós.

Autoconhecimento e amor próprio em doses cavalares, nos auxiliam a parar de contar “historinhas” para nós mesmos e sem desculpas por um ponto final aonde já não há mais futuro. Coragem!

Hermann Hesse defendia a ideia de que devemos sempre seguir em frente, mesmo diante do medo: “devemos caminhar na direção do nosso maior temor, ali está nossa única esperança”.

Aprenda a abandonar a dor. Relacionamentos acabam com a mesma naturalidade que começam. Não é preciso motivos, traições ou discussões homéricas para que o fim aconteça. Muitas vezes, chegou ao fim sem motivos aparentes. Apenas acabou. Sem culpados, sem mentiras, sem ofensas.

Acabou quando não foi mais possível citar nenhuma razão para estar junto.

No livro manual do bom divórcio a autora (Diana Poppe) cita que quando o amor acaba é preciso fechar a porta e abrir a janela para o novo chegar.

E o que isso tem a ver com Direito? Tudo! Estamos aqui entre a porta que se fecha e a janela que se abre.

E acredite quando temos certeza de que o fim é necessário conseguimos ser honestos com nós mesmos, com o outro e com os demais envolvidos no contexto familiar.

Perceba o fim como um ponto final para a próxima página.

Como dizia o poeta Guimarães Rosa: “é preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado”.