Rei Salomão e as Festividades do fim de ano

Rei Salomão e as Festividades do fim de ano

Conta à história que um Rei chamado Salomão, em determinada audiência precisou resolver um conflito sobre o destino de uma criança. Duas mulheres recém haviam dado a luz a dois bebes. Um dos bebês veio a óbito e passaram então a disputar a maternidade do bebê vivo. Diante da dificuldade das partes envolvidas em encontrarem por si só a solução, o Rei mandou trazer uma espada. Quando lhe apresentaram a espada, o Rei então declarou: ‘Cortai o menino vivo em dois, e dai metade a uma e metade à outra’. A mulher cujo filho estava vivo sentiu nas entranhas tal compaixão por seu filho que disse ao rei: ‘Por favor, senhor, dai a ela o menino vivo. Não o mateis!’ A outra, ao contrário, dizia: ‘Não será nem teu, nem meu. Podeis cortá-lo’. O rei respondeu: ‘Dai o menino vivo àquela primeira, e não o mateis. Essa é sua mãe’.

E o que Rei Salomão tem a nos ensinar no Direito de Família?

Perceba quando nasce um(a) filho(a), nasce também um pai e uma mãe e, independentemente do contexto deste homem e desta mulher, seja uma noite ou um casamento de 30 anos, junto com a criança surge um elo que denominamos de parentalidade. O exercício da parentalidade acontece quando o casal exerce em conjunto a paternidade, decidindo juntos aspectos da vida do(s) filho(s), até que estes possam responder por si. Essa parceria é fundamental para que seja permitido um desenvolvimento físico e psicológico de modo saudável.

De todos os dilemas familiares, o que considero mais triste, é a disputa por um(a) filho(a).

Inúmeros são os pedidos que chegam ao judiciário, com diversas denominações guarda, convivência, férias, viagens e acredite, trocas de fim de semana. Qual fundamento? “Melhor interesse da criança”. Sim! Inúmeras páginas de processos demonstrando eventuais prejuízos que possam estar ocorrendo, por determinado comportamento do pai ou mãe, no caso parte contrária da ação judicial.

E no fim de ano? Querem equalizar minutos que cada um passará com filho. E lá vai a criança com a mochila pra lá e para cá. Dividida entre hora de chegada e saída. Como se na vida sempre faltasse uma parte.

Mas essa disputa de “quem têm razão”, disfarçada de “meu(minha) filho(a) é tudo pra mim”, muitas vezes na lista de prioridades não chega nem na segunda opção.

Esses conflitos geralmente são frutos do ego. Da dor não curada disfarçada de cuidado. Da ausência de maturidade de lidar com suas próprias frustações e com o dado de realidade de – Sim! Terei de conviver com ele ou com ela para sempre. Afinal, temos um(a) filho(a) para criar! Ainda que nosso amor conjugal tenha chego ao fim ou nem tenha começado.

Toda criança tem um pai e um mãe. Toda criança tem direito de amar seu pai e sua mãe. Como são. Benditas são as palavras não ditas e os encantos que não se quebram.

E assim como o Rei Salomão que sabiamente ao erguer a espada, sabia que não seria possível cortar uma criança ao meio, também não é possível dividir o amor pelo pai e pela mãe ao meio. Como também não se pode dar uma metade da criança para cada genitor.

Afinal, todo pai e toda mãe sábio, sentem em suas entranhas o amor puro e maduro que os faz ter compaixão por seus filhos. Filhos inteiros, de pais inteiros.