Mulheres exautas e divórcio

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Mulheres exautas e divórcio

Em tempos de pandemia e isolamento social, famílias inteiras estão confinadas 24h (assim esperamos!) dentro de casa. Muitas destas mulheres trabalhando em home office e dividindo mais do que nunca o trabalho e os afazeres domésticos. Sabemos que de maior ou menor grau as mulheres ultrapassaram a ideia de dupla jornada (casa + trabalho), para sabe Deus quantos pratos precisam equilibrar!
Tal demanda tem refletido nos escritórios de advocacia familiar – e nos consultórios de psicoterapia. A consequência? Cada vez mais mulheres são autoras dos pedidos de divórcio.
Segundo a Universidade de Stanford Michael J. Rosenfeld, que descobriu que as mulheres dão início a 69% dos pedidos de divórcio, contra 31% dos homens.
De início, alguns cientistas atribuíram a diferença ao fato de que as mulheres seriam mais suscetíveis aos altos e baixos da relação. Mas Rosenfeld encontrou um outro dado que quebra essa ideia: “Entre os casais não casados, ambos os sexos pedem o término de forma igual. Enquanto isso, nos casais casados, as mulheres são predominantes entre os que querem romper”.
Bom a razão eu escuto semanalmente em minha poltrona: infelicidade. Sim, as mulheres são menos felizes no casamento do que os homens. Muitas se sentem exaustas tamanha demanda de responsabilidade que recaí sobre seus ombros, mesmo que os dois trabalhem fora, ou até mesmo quando a mulher ocupa maior cargo ou recebe maior salário, será ela também a responsável pelas atividades do lar, dos filhos, do marido e quando não da família extensa. Ou seja, em que momento é possível olhar para si?
No Brasil, por exemplo, mulheres que trabalham fora passam 27 horas por semana cuidando do lar – contra apenas 12 horas os homens.
De modo exemplificativo, uma pesquisa recente feita pela Neuropediatra Luciane Baratelli na página “Neuro sem neura” (@neurosemneura), questionou os homens o quanto eles se sentiam participativos na vida dos seus filhos. Dos participantes, 75% respondeu que sim. No entanto, quando as perguntas levaram ao tema de “Quantas vezes você falou frases como” e as questões levavam a reflexões relativas a atividades de paternidade como organização de higiene pessoal, saúde e atividades escolares, por exemplo a participação caia consideravelmente.
Muitos casais que chegam aos escritórios de advocacia passaram por estresse e conflitos parecidos com o da enquete, mesmo quando as mulheres narram que os homens desempenham bem suas funções paternas e ou do lar, elas ainda assim atuam em 90% das demandas.
Qual a minha conclusão?
As mulheres estão exaustas. E com razão. E a solução é uma reconstrução social cada vez mais necessária: casais mais próximos que adotem uma abordagem efetivamente mais igualitária para cuidar dos filhos estarão menos propensos a se divorciar.
As mulheres na maioria casos não querem o divórcio, só querem alguém que pegue na mão e diga, vamos juntos?

Com carinho Alliny

* A pesquisa estudou casais heterossexuais de 2009 até 2015. No final, 371 haviam se separado ou divorciado.